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quarta-feira, 11 de maio de 2005

Liberdade

Sempre soube que o mais fácil era ser como a maior parte das pessoas. Olhar para trás e lamentar-me por um sonho perdido. Eu reconheci que o meu sonho era possível. 
A verdade, é que se tentarmos e falharmos, não sabemos como será o resto das nossas vidas por isso, é melhor viver pensando num sonho, do que enfrentar a possibilidade de vê-lo dar errado.
Eu lutei. Lutei para ter coragem de largar tudo, de parar no tempo. Lancei-me na aventura mesmo sabendo todos os riscos que corria. Nunca desisti. Mesmo depois de mil lágrimas choradas. Mesmo de depois ter perdido reiniciei a luta, correndo ainda mais risco, tendo ainda mais a perder. Mesmo depois de imensas noites sem dormir para pensar, para decidir e para ponderar.
Às vezes acredito mais, outras vezes menos.… Tenho medo. Medo de como enfrentarei o futuro. Medo do quanto me posso magoar nesta causa. É um sangramento constante que tanto pode estancar como permanecer aberto toda a vida…
Mantenho a esperança.… A esperança que a cada dia que passa me faça merecer o que desejo, a meta.
Enquanto luto torno-me escrava, escrava dos meus sonhos.
Quanto mais liberdade tive mais escrava me tornei. Tive oportunidade de escolher, de optar. E sou escrava do desejo de demonstrar que tudo valeu a pena, de agradecer com actos a quem confiou em mim, de retribuir as palavras de confiança.
Mas não sou escrava da aparência. Não sou escrava de uma vida que não escolhi e é isso que quero projectado no futuro. Não sou escrava de uma vida que tive que decidir viver porque alguém ou forças maiores, como o destino, terminou convencendo-me que era o melhor, ou mesmo, que não tinha alternativas. 
Não me arrependo de nada. Não me arrependo das descisões que tomei, dos momentos que passei, do que sofri, das lágrimas que derrubei. Carrego as minhas cicatrizes como se fossem medalhas para mim, sei que a que a liberdade tem um preço alto, tão alto quanto o preço da escravidão. A única diferença é que pago com um sorriso, mesmo um sorriso manchado de lágrimas...

(Sim, andei a ler “O Zahir” de Paulo Coelho)

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