A minha tia à tempos pediu-me para lhe escrever um texto com aquilo que eu tinha aprendido com ela. Tudo isto a propósito do Dossier do Curso Novas Oportunidade que visa terminar o 9º ano. E aqui está:
A vida em sociedade começa na familia. É através desta que temos o primeiro contacto com o mundo . Nela aprendemos a amar e a ser amados, a pertencer a um grupo, a ser aceites e quais os valores que devemos seguir. Sentimos que devemos orgulhar a nossa familia e seguir aquilo que nos transmitiu. Fazemo-lo de forma inconsciente e por vezes repetimos todos os erros e todos os acertos sem sequer nos darmos conta. Esta é uma forma de amar e agradecer tudo aquilo que a familia foi capaz de dar. Eu devo muito à minha familia. Sou filha de pais divorciados e vi o meu nucleo familiar mais pequeno desfeito. Não fiquei na minha infância com nenhum deles, fiquei com os meus avós. A minha avó educou-me e cuidou de mim muito melhor do que a minha mãe seria capaz. O meu avô era o meu companheiro de dia a dia, quem mais me mimava e tive o azar de falecer pouco tempo depois e ver desfeito também o amor que todo o filho tem prazer em ver entre a “mãe” e o “pai”, mesmo que estes fossem de substituicão. Gostamos de ver os nossos pais felizes e eu por vezes tentei colmatar essa falha na minha avó. O meu pai sempre foi um optimo pai, cedeu o papel principal à minha avó mas estava sempre presente quando eu precisava. A minha mãe emigrou, esteve ausente em todos os momentos da minha vida e nunca desempenhou em nada o seu papel. Não a culpo porque adoro ser quem sou hoje e dou graças a tudo. E isto tudo porquê? O porquê de resumir a minha vida? Para tentar explicar o papel importante na minha vida das minhas tias, essencialmente da minha tia Eduarda. A minhas tias conseguiram ser as “ minhas mães” e as minhas “irmãs mais velhas”. Quando nasci e saí do hospital não parei muito tempo no meu berço. Dormi com a minha tia Eduarda até ela casar. Era ela que muitas vezes me comprava roupa nova, peças de roupa lindas que a minha avó não sabia ou não tinha possibilidades de me comprar. Foi ela que me iniciou o gosto pela leitura, quando olhava para a suas estantes conseguia sempre arranjar um novo livro ou então contava-me resumidamente algum livro que me dava vontade de ler. Li muitos livros aliciada por ela. A minha tia tem um fantástico jeito para cozinhar, aprendi com ela a fazer o seu famoso bolo de chocolate. Bem que no inicio me saía crú no meio ou então levantava mais de uma lado que outro mas lá com o passar dos anos consegui perceber que tudo estava na forma como ela mexia o bolo e o deixava respirar, e a dedicação com a qual ela fazia tudo que cozinha. Foi com ela que aprendi a adorar animais, ela era que me ensinava a cuidar deles, coisas básicas mas essenciais como dar-lhes banho e desapasitar-los. Depois quando fui para o estrangeiro estudar era para ela que eu ligava a pedir as receitas que tinha saudades e que queria cozinhar para os meus amigos. Fui considerada um “ás” na cozinha graças à minha tia. Era ela também que me escrevia e mandava fotos do meu primo, o qual eu fui muito prazerozamente madrinha, e que só tive oportunidade de conhecer aos 3 meses. Umas dessas cartas ainda guardo comigo e me emociono todas as vezes que a leio. Relia todas a vezes que me sentia mais em baixo, todas as vezes que tinha mais saudades e todas a vezes que pensava se tirar Medicina compensava os 8 mil quilomentros longe das pessoas que eu mais amava. Dizia-me ela “ Serás sempre o nosso orgulho, a nossa menina, a nossa lutadora ...quando um dia voltares...a saudade vai embora..ficamos nós e o orgulho”. Voltei ao fim de 2 anos, continuo a lutar pelo meu sonho e tudo graças a eles. A esta familia maravilhosa que tenho. Ao meu pai que me deu asas, à minha avó que sempre me alimentou o espirito e às minhas tias que sempre me apoiaram e se orgulharam de mim. A minha tia Eduarda com todo o amor que me deu inspirou em mim o meu sentido de luta, a minha dedicação. Todos os filhos tentam orgulhar os seu pais. Eu tentei muito mais que isso, tive e tenho uma familia tão amplia e devo tanto a todos. É por eles que sou quem sou, foi graças a eles que tive e continuo com tanta força. Obrigada tia por tudo!!!
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Esta não sou eu... apenas reflexos daquilo que fui, daquilo que sou e do que provavelmente serei. Embora o destino me pregue partidas continuo a acreditar nos meus sonhos e a rumar contra a maré. Tenho 25 anos e sou estudante de Medicina.


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