oje é dia das mentiras. Mentira parece ser o facto de ainda estar acordada a esta hora.
Quando não se tem uma rotina imposta, como eu neste momento, as vezes torna-se difícil gerir as coisas. Ora aparece aquilo, ora aparece isto e lá vou quebrando as minhas tarefas diárias. E cada dia que as quebro prometo a mim própria que será o ultima vez... Hoje, apesar do dia das mentiras, fica a promessa que será mesmo!
Ter dois exames para fazer em Junho nada parece de complicado senão fosse o meu único objectivo este ano, a razão pela qual me levanto todos os dias e razão pela qual me tento deitar cedo para um novo dia de trabalho em frente aos livros já desgastados dos anos anterior. Na realidade são dois anos que dediquei a esta causa, a completar agora o segundo. Perdi literalmente dois anos...O primeiro porque não me sentia suficientemente segura, porque não acreditava e a meio do caminho decidi parar e recomeçar, reconstruir...o segundo porque acreditei!
Abdicar este ano do curso de Enfermagem numa escola no Porto (pública) não foi nada fácil. Não adorei propriamente o curso, não me entreguei de corpo e alma no entanto, no primeiro semestre já foi notório que não seria uma pessoa infeliz a desempenhar aquela profissão. Foi aquele medo de um dia me arrepender por não lutar incansavelmente, de não ser uma pessoa completamente realizada que me fez voltar a pegar nos livros do 12ºano, parar no tempo no tempo, parar na vida...É assim que me sinto!
Hoje na minha explicação de Biologia tive oportunidade de recordar a minha primeira visita ao Hospital à Unidade de Puerpério. A alegria daquelas mães, acompanhadas com os recém nascidos, que as fazia esquecer a cara de dor nos cuidados perineais; o primeiro banho, a primeira amamentação, a primeira vez que a mulher se levanta após o parto...Adorei e foi com uma certa nostalgia que recordei estes momentos.
Ás vezes penso quantidade de gente que quer seguir Enfermagem, naquelas pessoas que sempre que vêm ao meu encontro para me perguntarem qualquer coisa sobre a escola, sobre o curso. Trabalham diariamente para conseguir aquela meta e eu que a consegui deixei-a pendente, talvez tenha mesmo ocupado o lugar de alguém que queria seguir o curso.
A Enfermagem precisa que lutem por ela. Numa entrevista de rua perguntei a algumas pessoas O que era ser Enfermeiro. Fiquei desiludida com a ignorância das pessoas. Fazem curativos, são ajudantes dos Médicos. É triste mas foram as resposta que obtive.
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Esta não sou eu... apenas reflexos daquilo que fui, daquilo que sou e do que provavelmente serei. Embora o destino me pregue partidas continuo a acreditar nos meus sonhos e a rumar contra a maré. Tenho 25 anos e sou estudante de Medicina.


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