Não me apetece dormir.
Estou cansada sem sono.
"Nunca te apoiei, nunca me revelei contra mas
um dia vamos falar."
Estas palavras ditas pelo meu Pai pesam-me. Sinto cada vez mais que tomei decisões irreversíveis.
Tenho a hipótese de me afirmar, de ser uma heroína aos seus olhos. De me orgulhar por ter tomado as minhas próprias decisões e
vencer. Por ter rumado contra a maré. Por ter chegado a mau porto, talvez devido às tempestades, e voltar a embarcar
mas também
uma derrotada. Aquela a quem destes tudo e nada fez. Porque quando eu sonhei fiz os outros sonhar. Fiz-te apostar.
Delineei uma meta
e mesmo que o que atingi seja bom
já não presta.
Ai alma descontente. Porque sonhas? Porque não te deixas levar no sabor das ondas como os outros? Porque são os teus sonhos sempre monstruosos? Deixa-me ò destino acreditar na minha Bíblia. Não me confinas a largar aquelas filosofias soltas nas páginas dO Alquimista.
Por agora vou dormir
. Não tarda a ser um novo dia.
E eu, marujo que sou, continuo a rumar com a esperança desembarcar no porto que tanto desejo. Não sei o futuro, mas nunca olharei para trás com arrependimento de não ter tentado
.


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